Alguém já disse...

Os do mal começam a vencer quando os do bem cruzam os braços!

sábado, 22 de janeiro de 2022

Os bancos querem nos enlouquecer? Ou não nos querem mais como clientes físicos?

 

   Como os amigos leitores já devem ter notado, ou sido “vítima”, assim, entre aspas, os bancos de uma forma geral estão racionalizando cada vez mais os serviços prestados, incentivando, induzindo ou fazendo com que seus clientes usem mais-e-mais os chamados “serviços on line” sob a justificativa de que “é mais fácil, mais prático, mais rápido, mais eficiente ou mais moderno”, afinal, tais serviços podem ser realizados de casa ou do trabalho. Muitos consumidores acreditam nisso e optam por esses serviços, e para eles deve ser mesmo mais indicado, claro; mas não é meu caso e aí, uma crítica, visto que já fui amistosamente criticado por uma bancária por não ter aderido aos serviços bancários on line: “mas tu, um professor e advogado, um cara estudado, inteligente e bonito ainda vindo ao banco para pagar boletos e fazer movimentações financeiras? Por que não adere ao programa “esvazie sua agência e faça o dono banco mais feliz?”. Minha resposta, em tom menos jocoso do que eu teria gostado foi: primeiro, por que eu não quero (sorrisos); segundo, por que eu tenho tempo para ir ao banco (mais sorrisos); terceiro, por que há muitos e muitos anos eu pago uma taxa de manutenção de conta, já sou meio sócio do banco (kkk); quarto, por que ainda sou reticente no uso de senhas e em movimentação de valores via internet, seja por insegurança minha ou descrença na segurança do sistema mesmo (aí quem sorriu foi a bancária). Na verdade eu queria ter dito que sou um bom pagador de impostos e taxas e não devo satisfação da minha vida, o que seria uma ótima resposta, porém, muito mal-educada, ahahahahah. Óbvio que eu não disse!

Quando os bancos não conseguem fazer o seu cliente optar, de forma espontânea, por esses serviços on line, que devem ser bons para as pessoas mesmo, mas é muito melhor para o banco, não se iludam, levam-no a ter que usar os caixas eletrônicos que, a cada momento, oferecem uma gama cada vez maior de serviços e operações.

Ocorre que alguns serviços nesses caixas eletrônicos se tornam complexos e isso causa dois tipos de transtornos para os consumidores (que pagam pela manutenção de suas contas nos bancos, explica-se, pois parece que às vezes o banco nos atende de graça...): um, é que aquelas pessoas mais xucras no trato com as máquinas, e aqui não temos demérito nenhum, precisam sempre de ajuda para realizarem o serviço pretendido; outro, é que, mesmo pessoas que dominam a técnica de usar o caixa eletrônico não conseguem realizar o serviço necessário, tendo então que ir ao atendimento pelo caixa físico, ou seja investindo mais de seu tempo, e enfrentando, às vezes, duas ou três filas. É o que ocorre, por exemplo, com o pagamento de boletos através de código de barras: é muito comum que a máquina não consiga ler o código de barras impresso no boleto, aparecendo a mensagem “tempo esgotado e prepare-se para digitar o código”: o consumidor tem que digitar o referido código numa sequência que, a princípio, tem até quarenta e oito números. Quem já passou por isso sabe não ser tarefa das mais fáceis. Faça o teste ai amigo leitor, tente digitar em uma calculadora ou no seu celular o seguinte número, como se fosse um código de barras impresso em um boleto que deverá ser pago no dia, sob pena de multa e juros: 564987231147852369951487263024062300857912253584. Difícil, né? Agora tente esse outro: 989600000005856000000003658000000457826000045000. Mais difícil ainda, pois essa grande quantidade de zeros embaralha os olhos e confunde a mente...

Mais! Não é raro que os números referentes ao código de barras no documento sejam a menos do que os espaços disponíveis a serem preenchidos na máquina. A pessoa digita todo o código e a máquina fica ali, com um, dois ou três espaços faltando e o cursor piscando... Fazer o que então, antes que apareça a mensagem “tempo esgotado”: apertar o enter e ver a mensagem de “número de código de barras incorreto, prepare-se para digitar novamente” ou “boleto inválido, procure a agência emissora”? Ou completar os espaços faltantes com zeros e ver uma prestação de R$ 160,00 passar para R$ 1.600,00 ou até R$ 16.000,00? A alternativa então, como eu disse, é ir, depois de toda façanha no caixa eletrônico, ao caixa físico. Mas às vezes nem isso facilita a vida do consumidor.

Este causo que descrevo abaixo ocorreu numa agência bancária que, por óbvio, não vou identificar, pois acredito ser um caso pontual e na maioria das vezes anteriores em que precisei dos serviços bancários fui muito bem atendido.

O cidadão cria coragem e vai ao banco pagar um boleto no caixa eletrônico; para variar a máquina não lê o código (tempo esgotado) e o cidadão se prepara para digitar aquela bela sequência numérica. Digita uma vez e o código está incorreto; digita uma segunda vez e faltam números (espaços e cursor piscando); digita novamente e o código está incorreto ou o boleto é inválido... Vai então para o caixa interno da agência para ser atendido por uma pessoa. Chega no caixa e não tem ninguém para atendê-lo; espera um pouco e não aparece ninguém; espera mais um pouco e continua sem ser atendido; continua esperando e, para passar o tempo, olha o watss, atualiza as mensagens, envia mensagens, recebe mensagens; continua esperado e nada; espera mais um pouco e aproveita para ler todas as informações contidas no boleto; e nada! Cansado de esperar, vai embora.

Durante o período em que esperei para ser atendido, nos três guichês de atendimento pessoal estavam trabalhadores do banco, mas nenhum atendendo ninguém; estavam trabalhando, claro, mas não atendendo gente. Fiquei com a nítida impressão de que quando eu fui embora apenas os guardas tenham me visto entrar e sair do banco, nenhum dos demais: acredito que se tivessem me visto ao menos me diriam para esperar um pouco, ou que o atendimento iria demorar, ou que, apesar de serem 10:45h, a pessoa responsável pelo caixa estava almoçando e voltaria em trinta minutos (como já ocorreu comigo anteriormente), ou me ofereceriam um cafezinho enquanto aguardava... Mas nada. Nadica. Ninguém me olhou; ninguém me disse nada!

O que incomodou não foi esperar, afinal, se tem uma coisa que professores e advogados aprendem na vida é que esperar faz parte do processo. Fiquei ali, plantado como uma coluna de mármore no templo (já que a tv está reprisando a novela dos árabes, kkk) sem se quer ser notado. Poderiam até ter pedido para eu atravessar a rua e fazer uma visita na Igreja enquanto aguardava, ou oferecido um cafezinho, mas ao não me darem a menor atenção ou uma reles satisfação quando à necessidade de esperar, o que eu faria de bom grado, acabaram por causar um enorme incômodo, pois como consumidor, ou melhor, como todo e qualquer consumidor, merece-se um mínimo de atenção, certo? Voltei noutro dia, mundo de muuita paciência fui na máquina, e fui testando completar o código de números até dar certo. E deu, depois de umas quatro tentativas. Ufa, boleto pago em dia!


          Acredito que eu não tenha sido o único a passar por situação semelhante, certo? Mande aí seu causo ou sua situação constrangedora ocorrida em agências bancárias. Vamos rir juntos!!!

sábado, 8 de janeiro de 2022

Eu ia fazer uma conta no Face...

         Uma das mais interessantes tradições desse período de “virada de ano” é fazer planos para o ano que está começando. Nesse sentido, como muitos que estão me lendo também fiz os meus e hoje, passada uma semana do início de 2022, fazendo uma avaliação das coisas a que me dispus para curto prazo, pois costumo estabelecer meus planos em curto prazo, trinta ou sessenta dias, médio prazo, três ou quatro meses, e longo prazo, até meio ano, uma me chamou a atenção e eu quero comentar com os amigos leitores: vou criar uma conta de face book. Chega de ser tratado como um alienígena quando as pessoas ficam sabendo que eu não tenho face; chega de ser olhado com espanto, de ter que dar explicações, listar justificativas infundadas, de ser tido como um pária das redes sociais, sinônimo de atraso e de ignorância. Vou para o face então.

       Porém, e sempre há poréns, a partir de minha interpretação sobre como eu vejo o face book e a disposição das pessoas que nele se relacionam, isso quando eu frequentava a rede pela conta da escola ou pelas da família, resolvi fazer um texto contemplando uma lista de assuntos que eu não gostaria de ver na minha página. Essa lista seria encaminhada a todas as pessoas que “me solicitassem amizade”.

Primeira coisa, que chega a ser óbvia: não quero nada que diga respeito a Bolsonaro e Lula. Primeiro, por que já tenho minhas convicções plenamente formadas, como o amigo leitor bem sabe, depois, por que nesse tempo de intransigências os ignóbeis de plantão, com sua disposição policialesca, costumam sempre polarizar, visto que para eles, se tu critica um, necessariamente tu tens que ser apoiador do outro, o que não é verdade. Então será assim, sem bolsomígnions e sem pretralhas. Nada de falar do messias reacionário e do molusco cara-de-pau.

Por uma questão de lógica, também não quererei receber postagens referentes a política partidária e políticos, pois como eu já disse, não são os políticos que me escolhem, sou eu quem os escolhe; então, não preciso deles tomando meu precioso tempo de laser. Ao menos por enquanto é assim. Isso sem falar que é do meu bolso que sai parte dos subsídios que eles recebem para exercer seus mandatos nem sempre de forma satisfatória. Não dá pra misturar as coisas, certo?

Piadas sexistas, racistas, preconceituosas não serão admitidas, pois para mim há tempo os negros deixaram de ser diferentes ou inferiores por causa da cor de sua pele, a loiras e os portugueses deixaram de ser burros, questionar a sexualidade de um homem ou de uma mulher deixou de ser xingamento ou motivo de gozação e brincadeiras.

Ainda na esteira dos assuntos políticos, não serão aceitas mensagens que questionem a eficiência e a eficácia da vacinação, seja contra o COVID e suas variantes, seja contra o H3N2 ou qualquer outra doença. Se no dia-a-dia o obscurantismo e a ignorância podem ser alardeadas aos quatro ventos, às vezes até como virtude, na minha rede social não! Negar a vacina não é exercício da liberdade de escolha, pelo contrário, é irresponsabilidade com o social e o coletivo e cristalina demonstração de falta de inteligência.

Excluirei das minhas relações facebookistas (palavra que eu nem sei se existe...) aquelas pessoas que repassarem notícias notadamente fakes, de fácil comprovação, pois isso é um desfavor à sociedade, contribuindo sobremaneira para aumentar o caos de informação e desinformação que vivemos. O mesmo vale para aqueles que repassarem “superpromoções” de distribuição de prêmios ou brindes grátis, pois como é sabido, não existe almoço grátis e é justamente nesses superpromoções que se escondem os golpes. E como tem gente que cai. Cai não, se atira. Por favor, vanserrespeitá?

Também não repassarei postagens de autoajuda, pois se é autoajuda, não precisa dos outros, certo? Da mesma forma correntes de orações daquelas em que o emitente solicita que “não quebre a corrente”, “mande para mim também” ou “passe para mais doze pessoas sob pena de te acontecer algo muito grave...” E ainda justificam: doze são os apóstolos, os meses do ano, o número de ovos na caixinha de uma dúzia... A corrente vai quebrar.

Não curtirei ainda aquelas pessoas que ficam mandando indiretas, recadinhos, avisinhos, subentendendo insinuações, dando respostinhas, pois que, covardes para uma conversa tete-a-tete, escondem sua frustração atrás do anonimato do destinatário da mensagem. Que coisa feia...

Outra situação que me deixa muito constrangido é aquela de pessoas que terminam seus relacionamentos afetivos, casamentos ou não, independentemente de causa ou responsabilidade, e no dia seguinte já estão postando coisas supernovas da nova vida de supernovo solteiro ou de um supernovo relacionamento. E a família? E o histórico? E o respeito recíproco? Um conhecido se separou na segunda, na quarta já postou fotos nas baladas e no agito da noite, e no sábado já fez circular imagens com o novo amor, o amor verdadeiro, a pessoa ideal, a cara-metade, aquela que o completa... Me poupe, se poupe, nos poupe!

Também não quererei imagens de crimes, de acidentes, de gente morta ou esgualepada, maltrato a pessoas e animais. O mundo já está cheio de coisas muito ruins para a gente perder tempo com coisas muito piores. Vão carpir uma verga, ok?

Em contrapartida, poderemos postar coisas relacionadas a futebol. Desde que sejam feitas de forma respeitosa, pois até a flauta é bem vinda quando feita de forma elegante e inteligente sem buscar ofender ou agredir os rivais, como muito se tem visto por aí, combinado?

Dito tudo isso e analisado de forma criteriosa essa sumária lista de assuntos que serão proibidos no meu face, lista que não se esgota, pelo contrário, é muito mais ampla, cheguei ao final concluindo de forma singela que estou muito metido na vida das pessoas. Se elas querem falar de Bolsonaro, de Lula e de políticos, se querem fazer piadas grotescas ou criminosas, deixando transparecer seus preconceitos, se querem propagar a ignorância e a bestialidade, ou desejam apenas curtir uma dor na cabeça de galhada, postar coisas bisonhas ou aberrações, quem sou eu para discriminá-las? Que direito tenho eu de fazer isso? Cada um posta o que quer e aquilo com o qual se identifica e que arque com as consequências de suas postagens, certo?

                    É por esse motivo, então, que decidi agora que não vou mais fazer uma conta de face book: a uma, por que certamente terei muitos poucos amigos e conversarei com muito poucas pessoas, talvez até sozinho; a duas, por que ao criterizar as pessoas com as quais me relacionarei estarei criando mais problemas do que prazeres nas redes sociais, o que penso ser indevido. Penso, então, por correto, que continuarei a ser um alienígena, um pária das redes sociais, alguém que é olhado com estranheza e incredulidade toda vez que diz que não tem face. Acredito que com isso o mínimo que tenho a ganhar é o de economizar minha beleza e minha paciência, certo? Ou não?

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Então é Natal...

         Mais um Natal na pandemia, dessa vez, no entanto, com aquela “sensação de normalidade” que já estamos vivendo há algum tempo, ou melhor, para aqueles que, como eu, usam de vez-em-quando a máscara de proteção, é uma “sensação de aparente normalidade”: aglomerações, reuniões, solenidades, festas, etc.. Nos anos anteriores as restrições eram maiores, bem maiores, e as festas, muito mais comedidas, certo?


Se vale uma ressalva, basta observarmos como está a situação em muitos países da Europa que passaram por essa situação de “aparente normalidade” antes de nós para termos um uma pequena mostra do que está por vir: aumento na rigidez das regras de distanciamento, maior fiscalização e controle sobre a mobilidade das pessoas que optaram em não se vacinar, restringindo seu acesso a muitos lugares públicos, a festas e eventos, fechamentos de lugares públicos, look out, etc.

Apesar de tudo estamos numa das épocas mais emocionantes e emocionais do calendário brasileiro: época de reunir familiares, encontrar amigos, trocar presentes, dividir emoções, somar sentimentos de fé, solidariedade e comprometimento com o bem comum.


Natal é hora de relegar nossos problemas a um plano secundário e desejar que possamos encontrar, na força do nascimento de Cristo, a força para continuarmos nossa luta, nossa missão, nosso sagrado direito de desejar ser feliz, pois só assim, imbuídos desse espírito é que a troca de presentes, a reunião de entes queridos e nosso momento de reflexão, eis que este não pode faltar, terão sentido.

       Natal é data da celebração da paz e do amor. E na minha humilde interpretação dos fatos, é hora de agradecer a Deus por tudo que nos foi dado ao longo do ano, tudo de bom e tudo de nem tão bom, como mesmo os nossos fardos, pois me é muito particular acreditar piamente que aquilo que não me mata, me educa e me fortalece. Sempre.

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Dia da Consciência Negra (e o mesmo do mesmo! Sempre?)

        Celebramos sábado passado, 20/11/2021, o Dia Nacional da Consciência Negra coroando uma série de atividades e eventos que marcaram esta Semana da Consciência Negra, assim, com letra maiúscula. Em muitas cidades brasileiras é feriado.

       Apesar de esta efeméride existir há mais de dez anos, foi instituída por lei em 10 de novembro de 2011, muita gente ainda torce a cara para sua alusão, se é que a aceita como necessária ou legítima, contrariedade que aumenta, e muito, quando inter-relacionada com outras medidas que objetivam combater o racismo e o preconceito racial e seus efeitos nefandos como a política de quotas para negros, por exemplo.

Até certo tempo atrás, dez anos mais ou menos, talvez, ainda era aceito se discutir da necessidade ou da legitimidade dessa data em nosso calendário e de suas implicações para o processo de superação do racismo e do preconceito racial. Atualmente, esta discussão já está superada e quando alguém traz a mesma à baila é por que ainda cultiva muito dos elementos que alicerçam tanto o racismo quanto o preconceito racial. Anote aí amigo leitor: não se discute mais a importância, o significado e a simbologia do Vinte de Novembro.

Historiadores, sociólogos, filósofos, humanistas de uma forma geral, tem o conhecimento formado a partir de muito estudo, de muita pesquisa, de muito trabalho. Não inventam suas teses nem seu conhecimento. Para esses, a superação da discussão acerca do Dia da Consciência Negra ocorreu há muito mais tempo. Pode-se até não concordar com eles, mas tem que reconhecer que tal posicionamento não se baseia em achismo e nem em dados superficiais ou vazios de fundamentação e justificação técnico-científica.

Argumentos como “os negros são mais racistas que os brancos”, “as cotas significam discriminar os negros, pois dizem que eles não têm capacidade de progredir sem ajuda”, “quando chamam alguém de bugre ou chamam de alemão eu não há ofensa, por que  chamar de negro ofende então?”, “eu não sou racista, mas acho que há exagero nessa discussão e que cada um pensa o que que quiser”, “conheço negros que são gente boa...” ou “...honestos...” ou “...trabalhadores...”, “a oportunidade é para todos, os negros não aproveitam”, etc, até tinham uma certa aceitação, para fins de argumentação, há uns vinte anos atrás; hoje não mais, pois como eu disse, esta discussão está tão superada nos meios culturalmente mais esclarecidos que fica até difícil de contrarrazoar, pois são argumentos que suscitam muito mais o riso e a incredulidade do que o objetivo de fomentar uma discussão ou uma contrariedade ao conhecimento estabelecido; simplesmente não se discute mais isso, ou, em outras palavras, discutir e argumentar essas bobagens significa estar-se muito atrás na evolução das ideias e da cultura. Se, quando proferidas essas bobagens, as pessoas não se opuserem é apenas por um motivo: respeito à ignorância (no sentido de ignorar) alheia. Apenas isso.

O amigo leitor até pode achar que isso tudo que eu escrevi é bobagem ou excesso (de repente em sua cabeça até pode ser). Mas tem que ter a consciência de que está errado e nessa condição não pode externar, em qualquer lugar e para quaisquer pessoas, o seu ponto de vista, sob pena de ter sua ignorância (no sentido de ignorar) criminalizada. Então tem que calar. Assim é comigo e meus preconceitos: são fortes, estão arraigados em uma formação cultural de uma vida inteira, mas nem por isso se justificam ou deixam de estar errados; então eu me calo, aceito as opiniões diversas e tento, dentro do possível, compreender meu equívoco e tentar superá-lo. É fácil? Claro que não, pois é toda uma história reproduzindo os mesmos preconceitos e convivendo com eles como se não fossem errados. Mas é extremamente necessária e importante a disposição para a mudança. E quem não concorda que busque informações para transformar em conhecimento. Tarefa difícil, pois é mais fácil repetir o mesmo do mesmo de sempre.

É bom deixar claro que os negros não são coitados e o que buscam é o direito de superar todas as formas de discriminação e preconceito que os atingem e que sabemos não serem poucos. Para tal, a primeira coisa que precisam é de respeito, pois é exatamente no ato de compreender a significação da data de hoje, bem como o significado da palavra respeito, que reside toda sua luta. É algo muito mais complexo do que o senso comum determina.

Para superar o racismo e toda forma de preconceito ou discriminação racial a luta tem que ser de todos, e não só dos negros. Nesse sentido, não basta não ser racista; é preciso combater, ojerizar, criminalizar, irresignar-se, indignar-se contra o racismo.

         Que todos possam superar a discussão hora apresentada como eu e muitos outros já superaram, pelo amor ou pela dor, é o primeiro passo para uma sociedade mais humana, mais justa, menos preconceituosa. Chega de desculpas e explicações infundadas; não existe o não por que não! 
          Pensemos nisso?

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Primavera, bike, motos e caveiras

            Dias amenos pedem assuntos amenos.

Amena é a primavera com sua inspiração, época de belezas e do aroma das flores e das temperaturas equilibradas; período de sorrisos, por baixo das máscaras, daqueles que não sucumbiram à pandemia.


Então, aproveitando essa excelente época do ano, vamos falar sobre caveiras?

Muitos me perguntam por que em algumas das peças de roupas que eu uso, especialmente as da bike e da moto, aparecem bordados ou estampas de caveiras? Seja nas bandanas, na máscara, na luva, na balaclava, na jaqueta, lá está elas presentes.

Caveira é, via de regra e segundo muitos dicionários, o conjunto de crânio e ossos da face de um vertebrado morto, em especial a do ser humano. É essa caveira que eu uso.

Muitos são os significados da caveira, sendo muito comum identifica-la com a morte. Nesse sentido, é corriqueiro que ela esteja relacionada à coisas nocivas ou negativas como crimes ou ameaças de crimes, substâncias tóxicas, venenos ou locais intoxicantes e perigosos ou que exponham a algum tipo de risco. É sinal de alerta: tem perigo, lá está a ceveirinha, muitas vezes alocada sobre um par de ossos cruzados. Os piratas e os corsários se identificavam com caveiras, informando aos demais navegantes do perigo que representavam. A tropa de elite da polícia tem como símbolo a caveira e seu veículo blindado se chama caveirão, num objetivo aviso: cuidado, não viemos para brincadeiras. A polícia do Brasil é uma das que mais mata no mundo.

Porém, e sempre há poréns, como no meu caso e de muitos outros ciclistas e motociclistas, desportistas que cultivam uma vida saudável, equilibrada, responsável, a identificação com caveiras tem um outro sentido extremamente positivo e com o qual eu me identifico muito.

O amigo leitor sabia que a caveira também está relacionada, de uma forma geral, ao princípio da igualdade entre as pessoas? Hein? Hã? Depois de dito até parece óbvio, certo?

Anote aí: no momento que restarem apenas nossos ossos, se não formos cremados, claro, kkk, aí seremos todos iguais, primeiro, por que pouco importará quem fomos, depois, por que, olhando-se para uma caveira, não saberemos se seu antigo proprietário era branco ou preto, bonito ou feio, rico ou pobre, inteligente ou não, hétero, homo ou não binário, se era trabalhador ou preguiçoso, se era honesto ou um safardana, se foi casado ou solteiro, se era gordo ou magro, e tudo mais. Como caveira, ou já no estado de caveira, tudo isso pouco importará. Daí que nesse sentido a caveira indica, também, desapego e simplicidade, o que se opõe ao materialismo, ao individualismo e à desigualdade. Querem maior desapego do que à própria carne? Quem desapega de sua vida se desapega de tudo mais.

Os ciclistas e motociclistas se identificam com esses princípios.


Sobre uma bike, todo mundo é igual, por melhor ou mais moderna que a bicicleta seja, pois todos pedalam, fazem força, suam, cansam, passam frio, passam calor, sentem sede e fome, comem terra e mosquitos, se alimentam mal, etc. O cara com a bike de cem mil reais se iguala ao da de mil e quinhentos. E todos se divertem, se solidarizam, se exibem, se vangloriam e voltam para casa, via de regra muito cansados, mas completamente revigorados. Se as bikes podem ser diferentes, o mor pelo ciclismo os iguala.

Com os motociclistas ocorre a mesma coisa, pois não são as bikes que os une, mas o amor e o gosto por elas, ouvir o ronco do motor, mostrar seu equipamento, sua habilidade e técnica; também aquela insuspeita vontade de pegar a estrada e andar de cara no vento, gozando de cada rajada recebida. Sobre uma moto todos são iguais, e como os ciclistas, motociclistas também são solidários e parceiros; e também voltam cansados, mas vivificados.

Ora, vendo por esse ângulo é muito fácil compreender por que a caveira está presente, então, em uniformes e equipamentos de muitos ciclistas e motociclistas. É algo muito positivo, saudável e elogiável, ao contrário do que se possa pensar, certo? Sem falar que indica para os ciclistas aquele grupo de pessoas que não se priva de fazer força até estalar os ossos, enfrentar ribanceiras e perrengues em trilhas e estradas quando poderiam estar em casa, sentados, simplesmente “varejando”. Para os motociclistas também indica um sentimento de desapego ao conforto, buscando sobre suas motos contagiar com sua alegria, seus sorrisos, seus barulhos, até as pessoas que os assistem.


E o que tem a ver primavera com caveiras?

Ora, sabemos que a primavera tem uma simbologia bastante interessante: por suceder o inverno, a estação mais exigente de todas, ela representa renovação, renascimento, restauração de forças e energias, símbolo da vitória sobre os rigores do frio e preparação para a intensidade do verão. A caveira, que ao fim e ao cabo é nossa última lembrança física da estada nesse mundo, também traz implícita uma essa referente à mudança desta vida para outra; nesse sentido, tal qual a primavera, é também transformação na vida de alguém como princípio de nova etapa ou ciclo. Nossa vida é começo, meio e fim. Todo começo levará à um fim; todo fim nada mais é do que um (re)começo. Que bacana isso, né gente?

                     Vale, então, a reflexão!

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Blindados, voto escrito e o Estado Democrático de Direito


E a semana começou com a polêmica do desfile de tropas da marinha brasileira na explanada dos ministérios no Distrito Federal objetivando entregar ao presidente da República um convite para participar de uma atividade militar. Boa parte da altercação envolvendo a para militar foi o fato de que tal mobilização, que até onde se sabe ocorre todos os anos, ocorreu na véspera de a Câmara dos Deputados votar a proposta de Emenda Constitucional para implantar o voto impresso defendida pelo presidente Messias. Claro que contribuiu muito para dar nuances de arrelia ao acontecimento a postura beligerante do nosso mandatário-mor que não se cansa de promover acusações levianas e infundadas contra o sistema eleitoral brasileiro e agressões gratuitas aos membros do TSE e do STF. A falta de senso de autoridade, e de respeito, que caracteriza nosso presidente chegou ao ápice, ao menos na minha humilde leitura dos fatos, quando o mesmo referiu-se a um dos membros do STF com palavras de calão, chamando-o de éfedepe. Da mesma forma ele se dirige aos membros de oposição no Legislativo, sempre com desdém, ameaças veladas, subentendimento de uso da força, etc.

Ora, quando o representante do Poder Executivo vê a atuação constitucional do Legislativo e do Judiciário como ameaça, perseguição pessoal e conluio para prejudicá-lo, é por que o senso de competência, de responsabilidade e de compromisso com a democracia e o Estado de Direito estão muito comprometidos.

Com relação à questão envolvendo o voto eletrônico e a confiabilidade em sua lisura, penso que é uma situação ainda a ser bastante esclarecida, pois quanto mais provas nesse sentido, melhor. Mas daí a se fazer acusações medíocres sobre a honestidade do processo eleitoral brasileiro é uma distância abissal.

As pessoas perguntam por que eu confio no voto eletrônico, se eu não tenho como confirmar que ele registrou o voto que dei de fato na urna? Ora, como resposta eu digo que confio na urna eletrônica por que confio no TSE – Tribunal Superior Eleitoral, e confio no TSE pelo mesmo motivo que confio que um presidente da República ao ser eleito, por mais incompetente, ignorante, irascível e reacionário que seja, tem todo direito de governar dentro das regras democráticas até o término de seu mandato. A não ser que cometa crime de responsabilidade, claro, o que se aplica a todo e qualquer agente público.

Confio no TSE na mesma proporção que confio nas demais instituições que caracterizam o Estado Democrático de Direito: no Judiciário, no Legislativo, no Executivo, no Ministério Público, no Tribunal de Contas, nas Escolas, nas políticas públicas de saúde, inclusive nos programas de vacinação, na polícia, etc. Por serem órgãos compostos por pessoas, são falíveis, óbvio, passíveis de se desvirtuarem de ações corretas e honestas, o que só reforça a necessidade de se confiar que as responsabilidades por ações e omissões delituosas serão devidamente apuradas e responsabilizadas pelos órgão competentes. STF e TSE são falhos? Com certeza são, como o são todas as instituições que citei acima, mas é muito pior sem eles do que com eles, pois acredito honestamente que mais acertem do que errem.

Nossa democracia moderna é relativamente recente, visto que há pouco mais de trinta anos vivíamos sob uma ditadura. Ditadura militar, destaca-se. Então, retrocessos como o que estamos vivenciando no atual governo federal, que não esconde sua vontade centralizadora e sua contrariedade com o jogo político, bem como com as demais instituições que caracterizam o Estado Democrático de Direito, fazem parte do processo de amadurecimento da mesma. Para quem tem aspirações autocráticas como nosso presidente o jogo político, a oposição e a imprensa, entre tantos outros, são sinônimos de inimigos e agressores. O ômi toma como resistência e oposição pessoal o que no fundo é institucional e parte do processo democrático.


Daí me perguntam se eu acredito que possa haver um golpe militar no Brasil nesse momento. Penso que se dependesse do presidente, de alguns poucos asseclas, de algumas viúvas da ditadura, e de uma parte do povo brasileiro que viu o período de exceção por um ângulo relativamente positivo, até poderia sim. Mas numa análise mais ampla, crítica e contextualizada do momento histórico brasileiro acredito que seja difícil se materializar. As justificativas se lhes apresento em outro momento, visto que o assunto não se esgota, ok?

Então, a negativa da Câmara em aprovar o voto impresso proposto pelo presidente mostra que, ao menos neste caso, aquela Casa Legislativa está cumprindo de forma satisfatória seu papel de fiscal do Executivo, mandando-lhe o seguinte recado: “mantenha-se na linha, pois nosso apoio não será incondicional, ainda mais diante de tuas iniciativas tresloucadas baseadas em teorias conspiratórias infundadas que agridem o bom senso, a lei e a ordem”.

            Como a rusga entre o ômi e a oposição está tomando ares de retaliação recíproca, ouve-se boatos de que a CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito da Vacina quer indiciá-lo por charlatanismo, curandeirismo e propaganda enganosa em face da defesa do uso de medicamentos sem eficácia científica comprovada. Se isso ocorrer, o processo de impeachment é o desdobramento natural das acusações. Não sei se chega a tanto. Não sei se todas as cartas foram postas na mesa e todas as fichas foram jogadas. Ao menos o recado está dado. Voltaremos!

sexta-feira, 25 de junho de 2021