Alguém já disse...

Os do mal começam a vencer quando os do bem cruzam os braços!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

TPE - Tensão Pré-eleitoral


           E começam a se ampliar as expectativas quanto às próximas eleições.
Candidato que não era, é; que não ia, vai; que não queria, quer; que ia, talvez não vá; que era majoritário vai para a proporcional; que era proporcional vai para a majoritária; coligação que estava pronta, talvez não saia e as pouco prováveis talvez se concretizem... 
       Como diria aquele personagem de Érico Veríssimo: "eh, mundo véio sem porteira..."
      O bom de tudo isso é que podemos observar de forma mais apurada todo o processo que levará à formação das coligações partidárias e ao lançamento das candidaturas. Poderemos saber exatamente quem é quem ou o que no jogo político, quem sustenta sua palavra, quem pode oferecer alguma alternativa ou tem algo para oferecer a nossa comunidade, quem mantém coerência entre o discurso e a prática...
         Essa é a prévia do eleitor.



sexta-feira, 27 de abril de 2012

Pessimismo, desilusão ou conhecimento de causa?


         Sou descrente em transformações sinificativas na educação brasileira!
A curto prazo, claro, entendendo-se, por isso, oito ou dez anos. E transformações significativas mesmo; quantitativas e qualitativas. A médio/longo prazo, dez a quinze anos, no mínimo, talvez. Talvez! Mas a curto prazo, não. Apesar de que a curto prazo não se faz nada em educação.
Sou descrente porque parto do princípio que qualquer transformação qualitativa em educação passa, a priori, pela mudança da mentalidade do professor e sei que não estamos nos preparando para essas mudanças. Muitos de nós nem as estão querendo. Não o querer por querer, mas o querer efetivo, o querer de lançar mão de todo o esforço para alcançá-la. Não estamos conseguindo superar nossos paradigmas, nossos atrasos e nossos preconceitos.
Existem duas formas de nós professores sermos instrumentos de mudança na educação. Uma é através de nossa experiência, ou melhor, repensando nossa experiência e buscando identificar aquelas características que precisam ser mudadas, revistas ou melhoradas.  Só que somos incompetentes para fazer isso. Estamos nos mostrando incompetentes para fazer isso. Continuamos iguais ao que sempre fomos. Continuamos dando aulas e avaliando, não só como fizemos a vida profissional toda, mas como recebíamos as aulas e como éramos avaliados quando éramos alunos. Apesar das mudanças no mundo, das novas tecnologias, dos novos alunos e seus estímulos diferenciados, continuamos, via de regra, como antes. As poucas mudanças que se observam em nossas práticas, acenam muito pouco para uma transformação realmente significativa na educação de uma forma geral. 
Outra forma de mudança é através do estudo. O estudo de nossas disciplinas de exercício profissional, claro. Mas não só. Muito mais o estudo das teorias e dos teóricos da educação, suas ideias, suas propostas, seus métodos e metodologias. E isso não se faz aos poucos ou em conta-gotas. É estudo em qualidade e quantidade. Volumoso. Metódico.  Cotidiano. Esta é, sem dúvida, a melhor forma de superarmos nossas incompetências. Nossa praxis profissional tem que ser sustentada por teorias educacionais significativas. Mas nós não fazemos isso. Não mesmo. E ainda têm uns que dizem "por que fazer se eu não vou ganhar mais por isso?". Pofissional bom é profissional bom em qualquer condição. E sobre qualquer salário ou vencimento. Que se vá lutar por melhores condições financeiras de trabalho, mas não se use isso como justificativa para a falta de estudo.
Sou descrente em transformações significativas a curto prazo. Prefiro pensar em progresso. E não são sinônimos. 
Sou descrente por que vejo professores fugindo da sala de aula, arrumando subterfúgios para diminuir seu mister que, sei por experiência, é extremamente pesado. Sou descrente por que vejo colegas trabalhando sessenta horas semanais para ter uma vida financeira minimamente digna e sei, também por experiência, que não existe aula de qualidade numa condição dessas.  Sou descrente por que nos vejo como uma classe pouco interessada ou preocupada com as condições físicas, materiais e pedagógicas de nossa escola, como se essa preocupação fosse exclusiva das equipes diretivas que, sabemos, nem sempre dominam todos os elos da corrente gestora da mesma; e quando têm a preocupação não fazem nada, não tomam nenhuma iniciativa para contornar as deficiências existentes. Sou descrente na medida em que vejo que nossa classe profissional não muito ageita à critica ou à cobrança, como se isso fosse uma questão de agressão pessoal e não de busca por melhoras no ambiente escolar, além, claro, de instrumento de qualificação profissional. Sou descrente pois nos vejo como uma categoria profissional que frequenta cursos, busca habilitação, mas que esses nem sempre se mostram significativos, não representando qualificação profissional, muito pelo contrário, pois não raro se ouve expressões do tipo "só estou fazendo isso para ganhar um diploma ou certificado". Aí é brabo. E via de regra é assim: estudam por obrigação; vão à palestras e saem mais cedo, ou não prestam atenção; frequentam cursos mas não conseguem vê-los como instrumento de mudança.
Da mesma forma sou descrente por que vejo as universidades lançando no mercado professores tremendamente despreparados e muitas vezes não só conservadores em termos de mudanças como retrógrados. Alguns até reacionários. Os que eram para ser arautos das mudanças são seus algozes.
Sou descrente, também, por que vejo a mantenedora sem uma proposta material de mudança, desenvolvendo a política do "vamos indo para ver onde se chega", e aí, amigo leitor, é como eu sempre digo, de onde menos se espera que as coisas venham, dali é que não vem nada mesmo. 
Sou descrente quando vejo o governo do estado, tão preocupado com mudanças em educação, dizendo que não vai cumprir a lei que estabelece o piso salarial dos professores. Que legitimidade tem para exigir que os professores cumpram com suas obrigações? Que legitimidade tem para exigir que os professores se empenhem em mudanças realmente significativas?
Sou descrente por um monte de outras coisas...

PS: parece que agora o governo do estado vai pagar aos professores o Piso Salarial Nacional. Vamos ver em que condições....

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Audax Caminhada 25 km - Novos Cabrais

           Participei dia 14 de abril de uma Caminhada Audax de 25 km na cidade de Novos Cabrais, RS. Era uma atividade que fazia parte das comemorações de aniversário da cidade.
Destaque desta caminhada a companhia constante de um persistente chuvisqueiro. Às vezes chuva mesmo.
Não foi a primeira vez que participei de uma caminhada longa, com tempo predeterminado. No entanto a chuva ao mesmo tempo que tornava a caminhada um pouco mais exigente, torvava-a mais atraente, instigante, desafiadora.
Mesmo com relativa experiência em caminhadas sempre há o que aprender e nesta oportunidade não foi diferente.
Sabia que estaria chovendo, até por que a previsão do tempo era acompanhada diariamente na semana anterior à caminhada (o que aqueceu as discussões no nosso grupo de atletas e fez alguns, temerosos do dilúvio que se expeculava que ocorreria, desistirem da empreitada). Isso exigiria, então, um pouco mais de atenção no planejamento.
Meias apropriadas e de ótima qualidade além de um calçado minimamente adequado (e já suficientemente “domado”) seriam indispensáveis. Era o "basicão". No meu caso esses itens fizeram uma boa diferença na chegada (pés quentes, secos e confortáveis). Roupas leves também eram indicadas, apesar de que, nesse caso, 25 km é uma distância relativamente curta. Nada de muito “profissional”, então. Tac-tel, micro-tel, tecidos dry seriam suficientes. E foram. Molharam mas não pesaram. E garantiram a temperatura corporal. A capa de chuva, bem, esse foi um capítulo à parte.
A escolha da capa de chuva dependeria do tipo de chuva que enfrentaríamos: suave, intensa, torrencial, com vento, sem, etc.. Dependia, também, da temperatura ambiente. Optei por uma capinha comprida até as canelas, de “matéria plástica”, daquelas bem “levinhas” que costumo usar quando vou ao Gigante da Beira-rio assistir a super-máquina alvi-rubra (em dia de chuva, claro!). Quase descartável. Para o fim a que se destinava mostrou-se perfeita. Mas, se era impermeável de fora para dentro, também o era de dentro para fora (agora parece óbvio, não?), e aí o suor do esforço de caminhada acabou por me encharcar. Como disse, ao menos me mantive aquecido...
Mas a grande aprendizagem foi com a mochila de alimentação-hidratação ou de hidratação-alimentação.
Eu usava uma mochila do tipo camel-bag, com reservatório de água e uma mangueirinha, para beber água sem parar ou ter que tirar a mochila das costas. Como estava chovendo, objetivando manter a mochila e os lanches no seco pus a capa de chuva por cima da mesma. Aí eu vi que não foi o ideal.
Se beber sem tirar a mochila das costas era possível, comer não era. E aí a coisa complicou...
Quando se caminha a seis quilômetros por hora, durante cinco horas, qualquer parada de dez minutos representa um atraso no planejamento ou o afastamento do pelotão de caminhantes, o que exigirá um bom esforço para alcançá-los (pude comprovar isso quando parei cinco minutos para “aguar as folhagens” e, sem querer correr ou acelerar demais o passo, levei quase dez para me integrar novamente). Já pensou, então, parar, levantar a capa (que não possuía botões) até o pescoço (e se molhar todo), tirar a mochila, pegar o alimento (descascar, desenrolar, abrir), comer e fazer o procedimento inverso? Optei por comer somente na parada planejada (no meio da caminhada, lá pelo quilômetro treze). O problema foi que, com o suor abundante, a energia começou a escassear, a taxa de glicose baixou e somente água não servia de repositor energético. A salvação da lavoura foi um pé de caqui no meio do parque Witeck...Me senti um bugio agarrado naquela árvore. Mas foi o suficiente para chegar ao ponto de parada.
Após a “parada principal”, alimentado e hidratado, tudo correu (caminhou) conforme o planejado, chegando-se ao termo dentro das melhores expectativas.
Foi uma ótima atividade. Diversão, descontração, exercício físico... E como sempre tudo muito bem organizado pelo Senhor Luiz Faccin Caminhante, chefe supremo das forças caminhantes de Santa Cruz do Sul, Vale do Rio Pardo e adjacências.
            Outras impressões conto outra hora.
            A propósito, aí vem os 50, 75 e 100 km!
            Não sei não...não sei não...



sexta-feira, 13 de abril de 2012

Não creio em bruxas, mas...


         Manchete do jornal:
 "Demóstenes vai ao Senado e diz que vai provar sua inocência".
         E vai provar também a existêcia do Coelhinho da Páscoa, do Papai Noel, da Cegonha (entregando bebê), do Saci Pererê, do disco voador...


         E o pior é que não vai faltar quem acredite em suas (impossíveis) explicações...

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Páscoa, chocolate e obesidade...


         Estava na fila do supermercado. Ao lado, um expositor de revistas com treze revistas diferentes. Como a espera ia ser longa, comecei a ler as capas das revistas: "Nova dieta do abacate", "Perdeu quinze quilos em uma semana", "abobrinha e beterraba para emagrecer", "perca peso sem esforço", "coma de tudo e não engorde", "vida saudável sem se privar de nada", "emagreça dormindo", "a nova semente do emagrecimento", "o chá milagroso dos Astecas", "tenha o corpo da Miss Brasil em trinta dias", etc. De treze revistas, nove traziam estampadas em suas capas sugestões de como emagrecer ou não engordar. Sem esforço, sem sacrifício, sem privação.
Comecei a me perguntar como é que tem gente que acredita nesse tipo de informação. Como é que tem gente que acredita em milagres ou fórmulas mágicas para perder peso (e para muitas outras coisas)? Como é que tem gente que se submete às mais suspeitas dietas, para buscar uma "forma ideal", seja lá o que isso for?
Como já estava cansado e irritado após trinta minutos de espera, comentei em alto tom: não precisa nada disso! É só fechar a boca e passar a comer que nem gente, e não que nem bicho. Assim não engorda!
Uma senhora que estava à minha frente virou-se e disse  "_é isso mesmo, chega de mentiras, pois isso é só pra vender revista". Ato contínuo devolveu uma revista na prateleira.
         ...
Quem é que não vai se empanturrar de chocolate nos próximos dias? Quem? Os gordos certamente. Os magros também. Os doentes talvez não.
Façamos isso, se empanturrar, então, mas sem peso na consiência, sem vergonha ou sem arrependimento, afinal, temos o livre arbítrio. Ninguém é obrigado a devorar todo chocolate que encontrar.
Só não podemos esquecer que não existe mágica. Nem pó de pirlimpimpim. Que se engane quem quiser, pois a culpa nunca será da balança. Quem não quiser engordar que feche a boca. Bem fechado! Ou então vá comprar aquela revista que traz estampado em sua página "perca peso respirando". Talvez assim o chocolate não contribua com sua obesidade.
         ...
Não existe sucesso sem sacrifício. E Cristo é nosso maior exemplo

sexta-feira, 30 de março de 2012

Pelo fim da impunidade no trânsito


         Não é de hoje que é sabido que o trânsito é o maior ceifador de vidas em nossas estradas e cidades. Mais do que doenças e mais do que guerras. Nesse sentido, todas e quaisquer medidas voltadas a diminuir os riscos potenciais do trânsito são, então, sempre bem vindos. No entanto, volta-e-meia surgem medidas que apontam em sentido contrário.
Quarta-feira passada o Superior Tribunal de Justiça - STJ , segundo órgão na hierarquia da justiça brasileira, numa apertada votação (cinco votos contra quatro) decidiu que somente o bafômetro ou o exame de sangue são instrumentos válidos para fazer prova da embriaguez, ou não, de um motorista. Testemunhas, depoimentos dos policiais, atestados médicos, vídeos, nada! Na prática isso significa, por exemplo, que um indivíduo que se envolveu num delito ou acidente de transito, mesmo que saia cambaleando do carro, com a voz embargada ou quase sem conseguir falar, nem conseguindo se manter em pé, como muitos casos que acompanhamos na televisão, se negar ou não for submetido a um bafômetro ou exame de sangue, sua embriaguez não será elemento a ser considerado na hora de apurar-se a responsabilidade pelo delito ou acidente. Simples assim. Terá sido apenas mais um "acidente", e não um delito como uma tentativa de homicídio ou o homicídio propriamente dito que é o que me parece.
A decisão foi polêmica, gerou muita discussão, mas é de se entender que os eméritos julgadores devem se ater à lei, e não às vontades da opinião pública ou aos clamores da sociedade. Para isso eles estão lá: para fazer cumprir a lei e, nesse caso, foi entendimento da maioria que a alternativa correta a ser adotada era aquela.
          No Brasil predomina o princípio legal segundo o qual todo mundo é inocente até prova em contrário. Como ninguém é obrigado a fazer prova em prejuízo próprio, ninguém é obrigado a se submeter ao teste do bafômetro ou exame de sangue. Daí que...
         Que se mude a lei, então.
       Nesse sentido sugiro o site Não Foi Acidente - NFA (http://naofoiacidente.org/blog) onde há uma campanha para reunir 1,3 milhões de assinaturas de eleitores objetivando encaminhar petição pública ao Congresso Nacional com Projeto de Lei que altera a legislação penal referente a delitos do trânsito, tornando a mesma mais exigente. 
        Passe no site, conheça a proposta e, se julgares oportuno, subscreva a petição pública: 
         Chega de impunidade no trânsito!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Ainda a luta dos Professores...


         A forma como está sendo conduzida a política salarial do magistério público estadual pelo governo do estado está conseguindo contornar uma situação de há muito conhecida na classe professoral: a desunião da categoria.
Não é de hoje que se sasbe que a classe dos professores nunca primou por uma grande união. Não raro os movimento de moblização, paralização e greve ocorridos em tempos pretéritos eram caracterizados pela divisão da categoria onde muitos não se deixavam comover pela luta de seus pares.
Ouvia-se muitos argumentos para a divisão da classe ou a adesão parcial aos movimentos propostos. Cito alguns, apenas para exemplificar: interesses político-eleitoreiros dos dirigentes da categoria (e assim era, pois quantos vereadores, deputados e governantes saíram das lutas de classe do magistério estadual?); desconhecimento, por parte dos professores, de seus direitos e prerrogativas (muitos ainda não conhecem seus direitos e acham - este é o termo, que tudo que vem da direção ou da Coordenadoria de Educação é certo, verdadeiro e legal e tem que ser cegamente seguido); medo das chefias imediatas que, muito comum, usavam de coação e todo tipo de pressão contra os professores mobilizados (alguns ainda tentam, como relata colega de uma cidade do interior onde a diretora afirmou, em reunião de diretores, que "meus professores não vão paralizar, ah, não vão mesmo, nunca pararam e não vai ser agora!" - e todos paralizaram, 100%, eh, eh, eh); falta de vontade dos professores diante da necessidade de, se necessário, recuperar as aulas, comprometendo suas férias, seus fins de semana ou outros (o comodismo e o interesse imediato e particular sempre pesa mais do que a luta por melhores condições de trabalho para toda a categoria); falta de verdadeiras lideranças (nas escolas) que mobilizassem os colegas na defesa de seus direitos, inclusive o direito a paralizar ou fazer greve (o professor lider tem que ser um mobilizador das opiniões e das votades, e saber que mobilizar não significa impor uma vontade ou ponto de vista. Tem que ser persuasivo, racional, saber se comunicar, ser objetivo quanto aos interesses em conflito e as ideias defendidas, aceitar a resistência, etc.); falta de comprometimento dos profissionais com as necessidades de sua categoria ("não sei o que está havendo e não me interessa saber, não me diz respeito"); falta de alcance e conhecimento político dos professores sobre a importância, a necessidade e a efetividade das ações de classe (até hoje muitos ainda acham - e esta é a palavra, que a mobilização permanente, as paralizações e as greves  nunca resolveram nada e vão continuar não resolvendo - esquecem que se ganham um vencimento mínimo ou se possuem mínimos direitos, foi graças à elas); falta de fé dos professores em sua competência para tomar decisões no âmbito da escola, contrariando, muitas vezes, a vontade ou o interesse da equipe diretiva (que não é a detentora da verdade, friso). Esse rol não se esgota, claro. Mas aponta alguns caminhos.
Então, como disse acima, as ações e declarações do atual governo estão conseguindo reverter esta situação e promover a união de toda categorial professoral. Característica histórica que está sendo contornada.
Escolas onde nunca houve movimentos coletivos de mobilização, paralização e greve estão participando ativamente. E à unanimidade. Professores que nunca participaram das atividades chamadas por seu sindicato, estão começando a quebrar a inércia e participar, de forma efetiva, dos movimentos políticos de sua classe. A discussão nas escolas, nas salas de aula, nos encontros da comunidade estão se ampliando e aumentando a mobilização dos mestres, atribuindo grande legitimidade a suas reivindicações. A votade da maioria tem prevalecido, não pela imposição de ideias ou vontades, nem se quer por uma votação que pode distinguir uma maioria atuante em face de uma minoria ausente, mas pela materialização de um consenso, que busca a vontade do coletivo e a soma de interesses num todo. A democracia começa a tomar conta das escolas, a partir, principalmente, das salas dos professores, que é o reduto de organização básica desses movimentos reivindicatórios. Para desespero de alguns e regozijo de muitos. Novas lideranças estão surgindo. 
Se semana passada a palavra de ordem era "quem tem telhado de vidro não atira pedra", a desta semana é "quem semeia vento, colhe tempestade". Ou, noutras palavras, "colhemos aquilo que plantamos".
A proposta de "aumento" do magistério, que está muito longe de atender o piso legalmente instituído, encaminhada pelo governo à Assembleia Legislativa foi aprovada. Sob forte resistência da classe. Saberemos dar nosso recado aos senhores deputados. E ao governo, então...
Apenas uma ressalva: não sejamos ingênuos! Os deputados que votaram contra a medida de aumento, ou que se ausentaram da votação para diminuir o quórum (ou não votar contra) são os mesmos que, no governo anterior, também votaram contra a implementação do piso nacional, à favor do governo, portanto. É a ciranda da relação situação/oposição. Mas nada como um dia depois do outro. Como diz o ditado, pimenta no olho da gente arde; no dos outros, é festa....
As eleições vêm aí. Daremos nosso recado nas urnas. Esse é o maior bônus político da democracia. E como pode ainda existirem viúvas da ditadura?
Magistério público estadual não é um sacerdócio em que se faz um voto de pobreza e miséria. Com certeza não é. Ninguém quer enriquecer; apenas viver com um pouco de dignidade. Só isso.